Levanta os braços firmes
Mostra os músculos salientes,
Os punhos admiravelmente cerrados,
Balança o corpo solto,
Baila! Baila! na cadência
Da brisa soletrada pela concertina.
Alegra-te! Estás no Minho.
O Minho do verde espampanante,
Do corte agreste mas idílico dos montes,
Do casario semeado pelas encostas
Das manhãs vigorosas e ledas
Saídas das mãos de um mestre pintor.
Olha as festas! As grandes romarias!
As procissões com os seus santos
Galantemente vistosos.
O Minho dos rios soberbos
Que rasgam a paisagem
E amaciam o verão árido,
Cumulativamente jovem e terno.
O verde da água que escorre
E corre das fráguas recônditas
E que verte das videiras
O primeiro outono servido a Baco.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Não passes
Não passes o meio-dia
Sob o manto roto de um carvalho
Roído pela traça do tempo.
Víboras invisíveis tecem o visco
Que as velhas aduncas
Aspergem pelos caminhos
Em noites de lua cheia.
Nem passes nas redondezas dos cemitérios,
Cada árvore, cada planta, cada pássaro traz
Uma alma sedenta de libertação.
E quando vires uma árvores curvada
Rumorejando as folhas, estão
Os teus antepassados perguntando
Por ti e pelos que já amaram.
Nem passes nos umbrais dos grandes pórticos
Ocultos nas cidades adormecidas
Cujos centros contêm altares
E no centro do centro
Sentados em metáforas os poetas
Vão discorrendo, mas tu não
Os ouves. Encosta o ouvido
Ao solo, a terra é fresca e árida
Mas a humidade contem as tais
Palavras que geram árvores,
Montanhas, planetas e o girar do sol
na busca de cavalos fecundos.
Aprende o trilho das quiméricas
Sendas que aqueles tecem
para lá dos homens. Sente o céu
que lhes desliza pela áurea crepuscular,
Em torrentes de azuis e de violáceos.
Dos teus matizes tu já não quererás
Saber porque todas as portas
Se encontrarão franqueadas.
Sob o manto roto de um carvalho
Roído pela traça do tempo.
Víboras invisíveis tecem o visco
Que as velhas aduncas
Aspergem pelos caminhos
Em noites de lua cheia.
Nem passes nas redondezas dos cemitérios,
Cada árvore, cada planta, cada pássaro traz
Uma alma sedenta de libertação.
E quando vires uma árvores curvada
Rumorejando as folhas, estão
Os teus antepassados perguntando
Por ti e pelos que já amaram.
Nem passes nos umbrais dos grandes pórticos
Ocultos nas cidades adormecidas
Cujos centros contêm altares
E no centro do centro
Sentados em metáforas os poetas
Vão discorrendo, mas tu não
Os ouves. Encosta o ouvido
Ao solo, a terra é fresca e árida
Mas a humidade contem as tais
Palavras que geram árvores,
Montanhas, planetas e o girar do sol
na busca de cavalos fecundos.
Aprende o trilho das quiméricas
Sendas que aqueles tecem
para lá dos homens. Sente o céu
que lhes desliza pela áurea crepuscular,
Em torrentes de azuis e de violáceos.
Dos teus matizes tu já não quererás
Saber porque todas as portas
Se encontrarão franqueadas.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
Sombras
A vida. Sombras
Tornadas luz, néones,
E todas as cores
Que a memória da estrada
Percorrida retém do esmorecimento.
As sombras humedecidas
Pela ira, tornam-se assombrações.
E as assombrações precipitam
A descrença na humanidade
Debastando os lírios dos campos
E tornando a terra fértil
Num pus escarlate.
Vede os ninhos cremados,
Os pássaros caídos, o touro
Com as patas traseiras cravadas
Na boca. São ismos. São sombras.
Olhos cavados, rostos esvaídos
À mingua de pão, ramos retorcidos,
Barrigas insufladas de miséria.
E a matéria? dos braços
Caídos sobre rochas mutiladas.
São sombras caladas pela hipocrisia.
Sombras dos túmulos aperaltados,
Esse esgoto galante
Que consome uma nação
Vergado ao vexame da mão calcinada.
São sombras. Sombras!
Pesadas as pedras!, os pesos
Acorrentados ao povo
Que se afunda lentamente
Num lodaçal que não engendrou.
Pedem-lhe um sorriso nos lábios!
Grande! Bonito! Perfeito!
Para ficar algures num recôndito
Sado- museu. São sombras!
Minhas! Tuas! Nossas! Vossas!
Levanta-te, ó meu povo! Afasta
A tempestade! Abre as carcaças
Das nuvens e apaga as tuas sombras!
Julga os teus traidores! Julga e condena!
E afasta a derradeira sombra
Que te volatiliza: a culpa colectiva.
Essa não existe! O dolo tem rosto,
E tu conheces-lho,
Vê-lo todos os dias à tua janela.
Mas eles não te vêem…
São sombras! … E as sombras
Só te pedem o precipício.
Tornadas luz, néones,
E todas as cores
Que a memória da estrada
Percorrida retém do esmorecimento.
As sombras humedecidas
Pela ira, tornam-se assombrações.
E as assombrações precipitam
A descrença na humanidade
Debastando os lírios dos campos
E tornando a terra fértil
Num pus escarlate.
Vede os ninhos cremados,
Os pássaros caídos, o touro
Com as patas traseiras cravadas
Na boca. São ismos. São sombras.
Olhos cavados, rostos esvaídos
À mingua de pão, ramos retorcidos,
Barrigas insufladas de miséria.
E a matéria? dos braços
Caídos sobre rochas mutiladas.
São sombras caladas pela hipocrisia.
Sombras dos túmulos aperaltados,
Esse esgoto galante
Que consome uma nação
Vergado ao vexame da mão calcinada.
São sombras. Sombras!
Pesadas as pedras!, os pesos
Acorrentados ao povo
Que se afunda lentamente
Num lodaçal que não engendrou.
Pedem-lhe um sorriso nos lábios!
Grande! Bonito! Perfeito!
Para ficar algures num recôndito
Sado- museu. São sombras!
Minhas! Tuas! Nossas! Vossas!
Levanta-te, ó meu povo! Afasta
A tempestade! Abre as carcaças
Das nuvens e apaga as tuas sombras!
Julga os teus traidores! Julga e condena!
E afasta a derradeira sombra
Que te volatiliza: a culpa colectiva.
Essa não existe! O dolo tem rosto,
E tu conheces-lho,
Vê-lo todos os dias à tua janela.
Mas eles não te vêem…
São sombras! … E as sombras
Só te pedem o precipício.
domingo, 5 de janeiro de 2014
Secreta História
Quando morreres
Manda plantar uma árvore
Sobre a tua tumba.
Espera a chegada da primavera
E de todas as primaveras
Derramadas no pulsar do sol.
As suas longas raízes hão-de
Morder-te a fronte. Então
O teu espirito regressará
Á selva dos vivos.
Grandes bandos de estorninhos
Formar-se-ão ao meio dia
E toda a terra há-de lembrar-se
Daquele que findou e procurará
Aquele que há-de vir.
Partirás no meio deles,
Amparado no esboço das suas asas
Cortantes porque sabem
Que a tua espera é uma
Demora eterna.
Quantas viagens como estas
Já não aconteceram?
Novas neves hão-de ferver
Nos moinhos cavados
Nas entranhas da terra
E a sua mó, redonda como
O eixo do universo, libertará
A tua memória rodando
Incessantemente até colorir
O céu de pó branco, pedra celeste.
Esse pó – incenso, mirra e ruinas
Do teu outro que foi – brotará
Dos bicos das aves libatórias
E formará a matéria
Que os deuses determinaram
Para voltares a ser Homem.
Um novo ciclo para ti começa.
Tu matéria, tu espírito, tu verbo,
Tu sujeito e persona, tu frase,
Tu vida – história secreta
Mas nem por isso redundante
Por que toda a história do homem
Ignoro não se encaixa
Na quadratura dos registos.
Manda plantar uma árvore
Sobre a tua tumba.
Espera a chegada da primavera
E de todas as primaveras
Derramadas no pulsar do sol.
As suas longas raízes hão-de
Morder-te a fronte. Então
O teu espirito regressará
Á selva dos vivos.
Grandes bandos de estorninhos
Formar-se-ão ao meio dia
E toda a terra há-de lembrar-se
Daquele que findou e procurará
Aquele que há-de vir.
Partirás no meio deles,
Amparado no esboço das suas asas
Cortantes porque sabem
Que a tua espera é uma
Demora eterna.
Quantas viagens como estas
Já não aconteceram?
Novas neves hão-de ferver
Nos moinhos cavados
Nas entranhas da terra
E a sua mó, redonda como
O eixo do universo, libertará
A tua memória rodando
Incessantemente até colorir
O céu de pó branco, pedra celeste.
Esse pó – incenso, mirra e ruinas
Do teu outro que foi – brotará
Dos bicos das aves libatórias
E formará a matéria
Que os deuses determinaram
Para voltares a ser Homem.
Um novo ciclo para ti começa.
Tu matéria, tu espírito, tu verbo,
Tu sujeito e persona, tu frase,
Tu vida – história secreta
Mas nem por isso redundante
Por que toda a história do homem
Ignoro não se encaixa
Na quadratura dos registos.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Ano Novo
Dentro de breves instantes
Uma pedra descerrará o Homem
No lapidar de uma data
A tornar antes.
Baterá a meia-noite, fugidia
Das trevas, e as três palavras
Incensadas “Feliz Ano Novo”
Sentenciarão os desejos
Do momento zero postergado
Nos rostos plenos de frenesim.
Quando as primeiras chuvas
Lavarem a avenida, já poucas
Palavras restarão nos olhos
Raiados desta madrugada.
E novo ciclo há-de começar,
Não o da finitude do corpo
Humano restringido ao status
Vegetativo, mas o do cosmos
Que se expande e contrai
E volta à mesma ponte
Onde tudo começou.
Felicidades para todos!
Uma pedra descerrará o Homem
No lapidar de uma data
A tornar antes.
Baterá a meia-noite, fugidia
Das trevas, e as três palavras
Incensadas “Feliz Ano Novo”
Sentenciarão os desejos
Do momento zero postergado
Nos rostos plenos de frenesim.
Quando as primeiras chuvas
Lavarem a avenida, já poucas
Palavras restarão nos olhos
Raiados desta madrugada.
E novo ciclo há-de começar,
Não o da finitude do corpo
Humano restringido ao status
Vegetativo, mas o do cosmos
Que se expande e contrai
E volta à mesma ponte
Onde tudo começou.
Felicidades para todos!
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
Cobranças
Sentei-me. Rodei a cadeira.
Liguei o computador.
Descarreguei os emails.
Consultei o jornal digital
E o último relatório interno
Sobre os créditos a cobrar.
O telefone tocou. Atendi.
Um fornecedor desesperado.
Exigia-me o pagamento imediato.
Recordou-me, já lhe havia
Prometido liquidar há um mês.
Menti-lhe. Eu sei. Sei que o
Tempo não está de feição
E a palavra sem substrato
Torna-se jargão. Há-de ligar-me
Novamente. Na próxima
Quinta-feira, talvez.
Talvez aí já tenha
O problema resolvido.
Ou não.
Liguei a um cliente, também.
Mandou dizer, não estava,
Tinha apanhado um avião
Para Angola. Um destino
Na moda. Assuntos inadiáveis.
Por fim, contactou-me. Pediu
Desculpa. Um mal entendido
Da secretária. O dinheiro,
Confirmou-me, havia sido
Transferido pela manhã.
Respirei de alívio.
Consultei a conta,
Efectivamente cumpriu.
Cumpri também
Com as minhas obrigações.
Recebi depois um email
De agradecimento.
Liguei o computador.
Descarreguei os emails.
Consultei o jornal digital
E o último relatório interno
Sobre os créditos a cobrar.
O telefone tocou. Atendi.
Um fornecedor desesperado.
Exigia-me o pagamento imediato.
Recordou-me, já lhe havia
Prometido liquidar há um mês.
Menti-lhe. Eu sei. Sei que o
Tempo não está de feição
E a palavra sem substrato
Torna-se jargão. Há-de ligar-me
Novamente. Na próxima
Quinta-feira, talvez.
Talvez aí já tenha
O problema resolvido.
Ou não.
Liguei a um cliente, também.
Mandou dizer, não estava,
Tinha apanhado um avião
Para Angola. Um destino
Na moda. Assuntos inadiáveis.
Por fim, contactou-me. Pediu
Desculpa. Um mal entendido
Da secretária. O dinheiro,
Confirmou-me, havia sido
Transferido pela manhã.
Respirei de alívio.
Consultei a conta,
Efectivamente cumpriu.
Cumpri também
Com as minhas obrigações.
Recebi depois um email
De agradecimento.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
A cama
A cama.
Síntese e universo,
Fragmento de corpos
Fusão de átomos.
A cama,
Rompimento e harmonia das esferas,
Violenta destruição de dogmas.
Esmagamento de estigmas…
Fruição e erupção.
Vem e sopra a aurora.
A cama
Éden das macieiras entumecidas
Onde o Adão exaspera
E a Eva fragmenta-se.
A serpente alada morde
Morde em profundidade.
A cama.
O mar volta ao leito,
O vitelo ao prado verdejante,
O sol retoma a rotina
E a espuma esvai-se
Esvai-se.
Síntese e universo,
Fragmento de corpos
Fusão de átomos.
A cama,
Rompimento e harmonia das esferas,
Violenta destruição de dogmas.
Esmagamento de estigmas…
Fruição e erupção.
Vem e sopra a aurora.
A cama
Éden das macieiras entumecidas
Onde o Adão exaspera
E a Eva fragmenta-se.
A serpente alada morde
Morde em profundidade.
A cama.
O mar volta ao leito,
O vitelo ao prado verdejante,
O sol retoma a rotina
E a espuma esvai-se
Esvai-se.
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