Chegou o comboio
A alta velocidade,
Dita normalidade,
Uma serpente mecânica.
Uma multidão orgânica
Rompeu apressada
E num esgar
Atravessou a gare
E desapareceu no nada.
Pausa…
Retomou
O sentido inverso
Pois toda a estremidade
Possui a sua externalidade.
Novo multidão, de ida e regresso,
Consultava o relógio presente
E o horário do futuro.
Em fila prestava-se em frente
Da bilheteira. O administrativo
Vendia as senhas embaraçadas
De acesso. Em definitivo,
Aliviados, dirigiram-se
Ao habitáculo da carruagem
Para inicio da prezada viagem.
“Senhores passageiros, benvindos…”
Mimoseava o maquinista, “vamos
Seguir viagem Lisboa Braga
Com paragem…” continuava em revista.
O combóio partiu,
Após tal prosaico pretérito,
Deslizando silencioso
Com o Tejo aos pés.
Ainda estendi a mão
E a neblina salpicou
Os dedos de contemplação.
sábado, 21 de dezembro de 2013
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Poema Infiel
O corpo doo ao museu
Neste sumo de árvores
Trituradas, e suturadas
Pelas linhas, esguia silhueta,
Que o suportam.
As ideias empilho-as
Em cadeias de letras, dispersas,
Submersas, e em repuxo
Os versos vou soltando
Num labirinto, depósito
E jardim, que só os amantes
Conseguem desgostar como flores
Amputadas de pétalas que são.
Nesse lago, fragância e ismo,
O outono mergulha
A fronte e recolhe o vaporoso
Húmus pleno de vontade, dedicação.
Deleitam-se as musas dengosas
Nesse pueril poema envolto
Em espuma frugal. Poisam-se
Dúvidas, bordo de barco
Que balança e não pára.
Neste sumo de árvores
Trituradas, e suturadas
Pelas linhas, esguia silhueta,
Que o suportam.
As ideias empilho-as
Em cadeias de letras, dispersas,
Submersas, e em repuxo
Os versos vou soltando
Num labirinto, depósito
E jardim, que só os amantes
Conseguem desgostar como flores
Amputadas de pétalas que são.
Nesse lago, fragância e ismo,
O outono mergulha
A fronte e recolhe o vaporoso
Húmus pleno de vontade, dedicação.
Deleitam-se as musas dengosas
Nesse pueril poema envolto
Em espuma frugal. Poisam-se
Dúvidas, bordo de barco
Que balança e não pára.
sábado, 14 de dezembro de 2013
A prisão
A minha prisão!,
O dinheiro.
A minha prisão!,
Eu quero ter.
A minha prisão!,
Tu deves ter.
A minha prisão!,
Quero um como o teu.
A minha prisão!,
Ter! Ter! Ter!
A minha prisão!,
Para ter o que fazer?
A minha prisão!,
Tenho de me vender.
A minha prisão!,
Vender? Sim ou não!
A minha prisão!,
Sim. ¾ da vida.
A minha prisão!,
¾ da vida?
A minha prisão!,
Viver vale razão?
A minha prisão!,
Só para ter além do pão!
A minha prisão!,
Só para ter além do pão?
A minha prisão!,
Maldita distorção!
O dinheiro.
A minha prisão!,
Eu quero ter.
A minha prisão!,
Tu deves ter.
A minha prisão!,
Quero um como o teu.
A minha prisão!,
Ter! Ter! Ter!
A minha prisão!,
Para ter o que fazer?
A minha prisão!,
Tenho de me vender.
A minha prisão!,
Vender? Sim ou não!
A minha prisão!,
Sim. ¾ da vida.
A minha prisão!,
¾ da vida?
A minha prisão!,
Viver vale razão?
A minha prisão!,
Só para ter além do pão!
A minha prisão!,
Só para ter além do pão?
A minha prisão!,
Maldita distorção!
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Repuxo
Posso fugir de um cão,
Da agonia de um leão,
Das voragens de um tigre,
Das cercanias de um lobo…
Mas o que mais desejo
É fugir da morte,
Esse voraz predador
Que a todos consome.
Da agonia de um leão,
Das voragens de um tigre,
Das cercanias de um lobo…
Mas o que mais desejo
É fugir da morte,
Esse voraz predador
Que a todos consome.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Sem receio
Não tenhas receio
De ti próprio! Não!
Abre as tuas sombras,
As janelas da tua
Própria prisão. Solta
A pomba que esmeras
E voa mais alta, mais alto
Que a imaginação. Apanha
O pássaro, o único pássaro
Que sobrevoa a última
Galaxia. Voa com ele
Por que só ele expele
Felicidade. Ele canta!
Nunca o vi triste
Nem pesaroso.
Os amanhãs sucedem-se
Sem interrupção.
Mas lembra-te! Nunca
Estás sozinho. Outras
Fontes vertem a teu lado.
De ti próprio! Não!
Abre as tuas sombras,
As janelas da tua
Própria prisão. Solta
A pomba que esmeras
E voa mais alta, mais alto
Que a imaginação. Apanha
O pássaro, o único pássaro
Que sobrevoa a última
Galaxia. Voa com ele
Por que só ele expele
Felicidade. Ele canta!
Nunca o vi triste
Nem pesaroso.
Os amanhãs sucedem-se
Sem interrupção.
Mas lembra-te! Nunca
Estás sozinho. Outras
Fontes vertem a teu lado.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Melodia
A alegria maior,
O sorriso absoluto,
Eu canto! Canto a natureza
Das árvores altas, altíssimas,
Que embalam a imaginação
Ao ponto mais alto
De onde tudo é sublime.
O sublime é a súmula,
Termo do não retorno.
Eu canto! Canto a voz da ave
Amanhecida num novo dia.
Canto a aurora! A melodia
Eterna do despertar.
Canto a dissipação da lua!
No beijo terno que os amantes
Temem acabar.
Eu canto! Canto a alma ingénua
Que respira a leveza de ser.
O sorriso absoluto,
Eu canto! Canto a natureza
Das árvores altas, altíssimas,
Que embalam a imaginação
Ao ponto mais alto
De onde tudo é sublime.
O sublime é a súmula,
Termo do não retorno.
Eu canto! Canto a voz da ave
Amanhecida num novo dia.
Canto a aurora! A melodia
Eterna do despertar.
Canto a dissipação da lua!
No beijo terno que os amantes
Temem acabar.
Eu canto! Canto a alma ingénua
Que respira a leveza de ser.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Ousadia
O quadro azul!, Pétreo azul,
Prolongamento voluptuoso
Da abóbada celeste, abrigava
Uma borboleta de asas violáceas
Que extravasavam os arrabaldes
Da circunstância e da luxúria.
Tal delação, mortal veneno,
Feria de frémito o impetuoso sol,
Guarnecido como actor atento,
Instrutor da natureza,
Sobre o último dos anéis
Que procediam o Olimpo
E o vermelho tenaz
Da macro criatura imaterial,
Sequência e disposição.
A montanha complacente
Tecia a criatura aurífera, fruto
De advento meticuloso
Sob um profundo ventre
Rasgado a lava e outras
Texturas sensíveis.
O sol truculento, incomodado,
Decidiu clarear mais cedo,
E violento torrou as asas
Quistas do ousado insecto.
Perante tamanha turbulência
O pintor tomou um balde
E tornou claro o quadro azul,
Sobrepondo-lhe um branco imaculado.
Desenhou uma nova alegoria.
Prolongamento voluptuoso
Da abóbada celeste, abrigava
Uma borboleta de asas violáceas
Que extravasavam os arrabaldes
Da circunstância e da luxúria.
Tal delação, mortal veneno,
Feria de frémito o impetuoso sol,
Guarnecido como actor atento,
Instrutor da natureza,
Sobre o último dos anéis
Que procediam o Olimpo
E o vermelho tenaz
Da macro criatura imaterial,
Sequência e disposição.
A montanha complacente
Tecia a criatura aurífera, fruto
De advento meticuloso
Sob um profundo ventre
Rasgado a lava e outras
Texturas sensíveis.
O sol truculento, incomodado,
Decidiu clarear mais cedo,
E violento torrou as asas
Quistas do ousado insecto.
Perante tamanha turbulência
O pintor tomou um balde
E tornou claro o quadro azul,
Sobrepondo-lhe um branco imaculado.
Desenhou uma nova alegoria.
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