domingo, 15 de setembro de 2013

Mar por que vais?
Por que vens?
Por quer baloiças?
Pausadamente ou violento?
Quem te embala?
Será que trazes novas?
Do além ou do Aquém?
Por vezes oiço-te chorar.
Quando falas,
Sussurras temeroso.

O teu seio é retumbante
Em vida. Devias sorrir!

Por que sufocas
Quem em ti se alimenta?
Ser-te-á o Homem ingrato?

sábado, 14 de setembro de 2013

A Praia Matisada

A areia rola no corpo
Os corpos que rolam
Rolam esbeltos.

Os corpos esbeltos
Rolam meus olhos,
Meus olhos abertos.

Olhos despertos
Em rochedos descobertos.

Sob a soberba maresia
As gaivotas reconhecem
Que o mar enfunado
As deixa inquietas em terra.

Volvo ao mar.
Ao mar que refresca
E revolto corta o cio à canícula
Saciando o avaro
Que nele ousa entrar

O amor

Jorra o amor
Na frondosa fogueira,
Inquieto e exasperado,
Inculcando vontade
De alcançar a plenitude.

Arvora-se o vermelho,
A tez de carmim
Na escusa pradaria,
Tomada de sensibilidade
E adulterada de verdejantes
Pontos de fruição.

Nesse rio corrente
Cujas probabilidades pulsam o infinito
As margens renovam
O fruto que nele emerge.
Cresce nesse estio
A frigida estação
Que tudo dá
Em troca carrega a metamorfose
Que a primavera, justa
Na medida do tempo, deforma
Em folha rasgada
De figueira.

Jorra o amor
Em tragos de felicidade
E assomos de momentos termos
Cujas delicias vertiginosas
Perpetuam o destino
Que sobre os ombros nos devora.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Canção das Flores

As flores,
As flores do meu jardim.
Um canteiro dentro de mim?
Não! Fica do lado de fora
Da estrada mas quem passa
Não dá por nada.

Rosas, açucenas, Margaridas
E todos os amores imperfeitos
Com sabor a amora
E a licor de marmelada.
Mas que fica fora da estrada
E quem passa não dá por nada.

E as camélias de seios pungentes
E lustrosas pupilas?!
E as impúdicas tulipas que deliciam
Os melosos nenúfares?!
Mas que fica fora da estrada
E quem passa não dá por nada.

E o rosmaninho? As papoias?
A grande tília de braços abertos?
Albergue de sonhos
Que só ao Homem cabe.
Mas que fica fora da estrada
E quem passa não dá por nada.

As flores do meu jardim
São assim.
Volúveis com o vento.
Selvagens e fermento.
Mas que fica fora da estrada
E quem passa não dá por nada.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Eram passos que seguia,
Com certeza, a certeza
Não me traia… E seguia.

A noite violenta horas
Horas longas e demoras
E o canto das esporas.

O amor me prendia,
Com certeza, a certeza
Não me traia. Eu sabia.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Vegetal

Vegetas! Vegetas acocorado Nos carris da não razão Sujeito a pesados Passos que ardilmente Nos arrufos das certezas Fazem-te levitar Ao encontro Da tua correspondência... Abres, lato, a concisa insconciência Numa cadência de portas Cobertas por manhãs Voláteis e pré-moldadas. Descobres nelas maravilhas Como a desnuda Alice, Cândida e obtusa no ser. As sombras cobrem-te. Mais uma vez num sem fim Segues os cavalos paridos Da montanha que formam a Manada que vai à frente. Tu os segues. A manada é o teu rosto Prescrutada pela águia Cujos pés assentam nos Teus mas cuja cabeça, a tua Não sente.

Oh madrugada! Eterno jardim!... Violeta de um rio Cujas nascentes não renovam o caudal. As nuvens aproximam-se E juram-te tempestade. Não fujas! Debaixo do teu velho carvalho As velhas entrelaçam velas E bebem sangue Em tua memória... Não fujas delas Não! Não!

sábado, 6 de julho de 2013

Cão e Gato

O gato arranha a verdade
distrate hermética
sumptuosa
E ao alcance de quem
pula os tramites que estão para
além da demagogia
evolutiva e inócua que entretém
os filhos de adão.

O cão sequioso
segura com afinco
o osso tão misterioso
quanto cavernoso
cujos limites estão na
trela que traz ao pescoço.